quinta-feira, 26 de julho de 2012

“The Meaning of Life”


Porque sou eu agora e não noutra época? Porque nasci quando nasci e não noutra altura, poderia eu ter sido outra pessoa? Até que ponto estará a minha consciência ligada a este corpo?

O que é a nossa consciência? A nossa alma, alguns diriam. Não somos mais que as conexões existentes entre os nossos neurónios, logo, eu não existo neste corpo, eu sou este corpo, sendo irrelevante pensar em nós noutra realidade que não a que vivemos (outro corpo, outro tempo, etc…). Mas como vimos a este mundo? Como ganhamos consciência? Existirá a nossa alma à espera que o nosso corpo nasça, continuando a existir depois deste, tendo como destino uma eternidade dependente das nossas acções na terra? Quando começamos a ser nós? Este momento zero parece impossível de definir, talvez o seja mesmo. Hoje não sou exactamente o mesmo que era há dois dias, muito menos há dois anos. Não sendo mais que as conexões entre neurónios, podemos considerar que começamos a ser nós próprios quando os primeiros neurónios se começam a desenvolver e a interligar-se, ainda no ventre. Aí começa a nossa diferenciação, se o nosso corpo, a nossa aparência são definidos pelos nossos genes, estes também vão influenciar e definir os nossos neurónios e suas conexões, definindo-nos a um nível inicial, mais tarde factores externos como a sociedade, a cultura, a educação, etc… e depois, a um nível mais elevado, as nossas escolhas, decisões e acções continuarão s definir-nos e, à medida que crescemos vamo-nos aproximando do verdadeiro Eu, do supremo Eu. Até que o nosso corpo morre e com ele a nossa consciência, acaba-se tudo para nós.

Qual é então o significado da vida, porque temos que praticar o “bem”, que sentido tem nascer, viver e morrer sabendo que depois não há nada, que nenhum ser superior nos julga e nos recompensa ou castiga conforme as nossas acções?

“Quando lhe disse: «Que quer que faça da sacralidade das tradições, se vivo plenamente no interior de mim mesmo?», o meu amigo sugeriu-me: «E se esses impulsos vierem de um plano inferior e não superior?» Então respondi-lhe: «Não me parece, mas se eu for filho do Demónio, pois bem, viverei de acordo com ele.» Para mim nenhuma lei pode ser sagrada, a não ser a lei da minha própria natureza.”
 Ralph Waldo Emerson

Temos que ser os nossos próprios Deuses, confiar em nós como os nossos próprios juízes. O sentido da vida, a verdadeira felicidade está em cada um de nós. As nossas acções são os nossos anjos e demónios, guiando-nos na demanda do Eu verdadeiro, de Deus. Há-que seguir integro nesta busca, “Nada, em definitivo é sagrado, a não ser a integridade da nossa própria mente.”  Há-que viver a vida ao máximo, viver, fazer, experimentar, não abdicando dos nossos princípios nem prejudicando o próximo. Para que quando “fores de noite e ao fim da estrada” possas olhar para trás sem mágoa ou arrependimento e que te vás com um sorriso nos lábios.

3 comentários:

  1. "Até que ponto estará a minha consciência ligada a este corpo?"

    Exprimenta ver para além da "minha consciência".
    Dizeres minha consciência implica que possuis tal, mas quem possui na verdade?
    Essa simples experiencia de possuir, ou de pensar, existe porque existe
    consciencia, sem tal não existiria. O que significa que a ideia de que "eu"
    existo separado da consciencia dá a falsa sensação de possuir consciencia.
    Mas onde decorre também esta falsa senssação? Tas a ver ?
    Existe a sensação de que somos separados de tudo ... vida, consciencia, do outro
    .. Dizemos eu tenho um braço, uma perna, vida, isto e aquilo.
    Mas really quem tem isso na verdade ?
    O "eu", autor deste blog?
    O "eu" que existe separado deste corpo e consciencia ?
    Se és separado significa então que existes fora de tal, fisicamente falando.
    Logo apalpavél, visivél.
    Mas tal não é verdade.
    Dizer que és o conjunto de corpo e mente está também errado.
    O "eu" antecede de toda e qualquer adjectivação.
    Repara primeiro existiu o organismo e depois a indentificação das experiencias
    desse mesmo organismo. Foste ao longo do tempo associando certas experiencias a
    sensações. Essa identificação é o que constroi o "eu", autor deste blog.
    É um facto que tal construção é produto do tempo, dado uma sensação indentificas
    tal com uma experiencia do passado e atribuis-lhe um valor, por exemplo
    tristeza. Que enventualmente segundo as tuas experiencias passadas pode ter um
    significado prejurativo. Logo a sensção actual é prejurativa e logo a evitar,
    por exemplo.
    Porque existe um "eu" que possui todas essas coisas, mas na verdade somos exactamente
    essa separação.
    Tamos tipo a jogar um jogo de fantoches ou de máscaras, cria-se um papel a
    desenrolar neste teatro e agimos de acordo com esse papel, e limitados a esse
    mesmo. Por vezes ficamos fartos, ou já satarados do caminho que esse papel nos
    tem levado e decidimos vestir outra pele, outra máscara, outro papel, agora vá
    talvez com cores diferentes até ficarem novamente borradas, e saturadas.
    Ficamos tão aficcionados com a personagem de teatro que nos parece tão real, que
    esquece-se que é só uma personagem de teatro.
    O "eu" é a fonte de todo o conflito e dúvidas.

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    1. Olá Dunno!
      Antes de mais, obrigado pelo teu comentário, concordo plenamente com o que dizes na primeira parte, talvez não me tenha exprimido tão bem quanto desejava. Em relação à segunda e terceira partes creio que estás errado, mas essa é a minha opinião neste momento. O Eu está de facto ligado ao corpo, dizes que “primeiro existiu o organismo e depois a identificação das experiencias” mas a identificação das experiencias não existiria sem o corpo e depende do corpo, uma pessoa sem a visão ou a audição, ou até mesmo um braço ou uma perna, terá certamente experiencias diferentes de uma que possua todos os sentidos ou membros. Assim como dois seres em que o cérebro se acaba de formar serão já diferentes um do outro, os seus cérebros são diferentes, logo a sua maneira de identificar experiencias será diferente. Os “seus” Eus (ainda que muito longe do “Eu verdadeiro”) já existem!

      Entendo o Eu um pouco como uma casa, em que o corpo são as fundações; a sociedade, cultura, etc… as paredes; e o telhado, mais perto do céu , sou Eu enquanto ser consciente, pensante e activo. Repara que apenas as “paredes” e o “telhado” dependem da identificação de experiencias, que por sua vez dependem a um nível inicial do corpo

      Mas esta “casa” está em permanente remodelação, com acrescentos, renovações, demolições, etc…

      Quando estamos fartos ou saturados, o que fazemos é retirar partes ou acrescentar novas a este Eu – a descoberta do EU – e isto é fantástico!

      Dizes que estamos a jogar um jogo de máscaras, repara que quem está por trás da máscara permanece imutável e isso não é compatível com a tal construção que também referes.

      O que tu talvez querias falar é a forma como nos mostramos á sociedade em que sim, mostramos ou escondemos certas partes do Eu (e às vezes podemos então confundir esta nossa projecção de nós na sociedade com o “Eu verdadeiro”), mas independentemente do que mostras ou escondes ou até do que conheces ou pensas que és, o Eu não muda radicalmente como quem muda uma máscara ou troca de roupa. Aliás, apenas quando pões tudo o resto em perspectiva, seja a sociedade, uma experiencia, etc.. e te viras para ti próprio, naquele lugar onde mais ninguém pode chegar – o teu Mundo – é que mudas verdadeiramente, é que te aproximas um pouco mais daquilo que és, de Ti, seja “retirando”, “acrescentando” ou “reforçando” aspectos de ti; “retirando” se eram entraves, “acrescentando”, se de alguma maneira se relacionam com outros que já fazem parte de ti, se são aspectos que te permitem chegar mais perto do Eu.

      Sim, “O "eu" é a fonte de todo o conflito e dúvidas.”, Mas aí é que está o sal da vida, a supressão de qualquer conflito ou duvida. Devemos nortear-nos na busca da verdade, na descoberta daquilo que realmente somos!

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    2. A experiencia vai ser sempre diferente, de um organismo para outro, independentemente das suas condições.
      Isso é um facto.
      Não é isso que estava em causa.
      Quando falo de indentificação, falo da acionalização/passado.
      É o que eu chamo o passado encontrar-se com o presente.
      Só sabes que algo é triste porque já tiveste no passado algo parecido.
      Repara que primeiro existe a senssação, o sentimento, e depois no instante a seguir segue a indentificação/comparação com as expereincias passadas, que segue a conclusão de que é "x".
      No instante que isso acontece deixas de estar no presente. Ves o presente pelo passado.
      Daí é o passado a encontrar-se com o presente.
      Existe também um fenómeno engraçado, significa que quando isso acontece, nesse mesmo instante, também existe a separação entre o sentimento e o que sente.

      O "eu", produto do tempo, ou seja, um aglumerado de memórias/experiencias já plásticas e falsas nunca seram mais reais que o real.

      Esse "eu" indentifica o que estás a sentir por comparação com o passado.

      É como se estivessemos a ver as coisas através duma moldura.

      Ou seja vemos e assistimos tudo com centro, Tas a ver ?
      Apartir do momento em que isso acontece limita-se o que nos chega, por momento presente.

      Esta separação entre o que sente, "eu", e o sentimento, o real distorcido pela memória, é descrito por imensas expressões, uma das que mais gosto, observado é diferente do observador.

      Depois de tudo isto o que é na verdade o "eu"? Sabemos que tudo acontece na consciencia, pois sem tal não existeria Observador nem Observado.

      O "eu" se faz passar por possuidor de vida, por o que sente, por observador, pelo que ve, por possuidor de consciencia... and so on.

      É também este mesmo que se faz de máscara, e que constantemente remodela-se.
      Segue então a pergunta, como tal acontece, o movimento de construção desta máscara? Como nasce a máscara?
      Já tomaste conta desse movimento?
      Calmamente e seranamente ver esse movimento, da mesma forma que se observa uma paisagem sem seguir promenores, sem focarmos, simplesmente ver.
      No momento em que nos focamos em algo o resto perde-se.

      Certamente que já tiveste uma experiencia em que tudo o que havia era o momento,aquele "mesmorizing", só aquilo nada mais. O momento em que não havia pensamentos, não havia nada, um complelto silencio.
      Nesse momento o Observador é o Observado, são o mesmo. Reflecte-se toda poesia, musicalidade o extâse, reflecte-se por completo por total o momento. No instante em que se regista memória dessa experiencia e persegue-se andamos a perseguir uma flôr plástica que não é jamais igual ao real, e toda e qualquer construção mental, jamais conseguirá catpar aquele extâse, que o presente nos trouxe.

      "Dizes que estamos a jogar um jogo de máscaras, repara que quem está por trás
      máscara permanece imutável e isso não é compatível com a tal construção que
      também referes."

      Não, não afirmei que o que está por trás das máscaras é imutavél.
      Se tal acontecesse não haveria nenhum movimento de pensamentos.
      Nem seria possivel mudares a máscara.

      Imagina a consciencia como um rio e os pensamentos, como barcos, uns a afundarem-se, e outros a surgirem e seguirem o mesmo caminho logo a seguir.

      Nada é permanente somos como um fluxo em constante movimento, nunca iguais.

      O que na verdade queria transmitir é que existe a senssação que os pensamentos são reais, e que transmitem a realidade no todo.
      Tas a ver?

      O esconder ou mostrar a máscara faz parte do jogo e até da mesma máscara.
      Quando se toma a máscara como o teu verdadeiro "eu" então estás a jogar um jogo de teatro. E o esconder e mostrar faz parte disso.
      O "Eu" só muda radicalmente quando te aproximas do teu verdadeiro "Eu".

      Axo que é importante notar que o verdadeiro "Eu", não possui qualquer tipo de adjectivação. Significa que não é preso por qualquer conceito, ou valor moral,ou ideal, ou algo meta-físico.

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